terça-feira, 19 de abril de 2011



Por um tempo as coisas deixaram de fazer sentido pra mim, deixaram de ser importantes e levantar da cama era algo totalmente aleatório, era doloroso. Doía olhar para o mundo e perceber que eu já não tinha mais teus olhos para me acompanhar. Ardia contra meu peito olhar em volta e perceber que você tinha partido, deixando partes de você comigo, deixando as tuas roupas espalhadas pelo chão do quarto e tuas lembranças cravadas em meu peito. Meu corpo, meu peito, meu coração clamavam por você. Era mais do que um pequeno capricho, deixou de ser necessidade e se tornou uma espécie de obrigação. Eu precisava ter você, ter a felicidade aqui comigo outra vez. O sol já não brilhava como antes, as cores desbotaram, o mundo perdeu sua graça e meu coração já não batia da mesma maneira. Respirava como se isso fosse a unica coisa para se fazer. Eu queria ser capaz de lhe trazer de volta, de transformar aquelas lembranças que insistiam em permanecer aqui, em verdade absoluta, traze-las para meu presente. As noites demoravam para passar enquanto eu olhava as estrelas e percebia que a mesma que brilhava na minha janela, também brilhava na tua. Para as estrelas, não havia distância entre nós dois (… ) Por alguns dias eu corri. Corri na esperança de algum modo te alcançar, de lhe encontrar no meio do acaso e dizer coisas que estavam intaladas em minha garganta e ardiam feito fogo. Eu queria que as coisas fossem simples. Queria me aproximar de você e na troca de algumas palavras, lhe tivesse de volta em meus braços, pra te chamar de meu, pra me sentir bem, tão sua… Por algum tempo eu esqueci de mim e passei a desejar a reviver minhas lembranças, reviver aquele passado gostoso que tinha cara de presente. Eu não queria experimentar uma outra dose de você… Eu queria ter uma overdose de ti, para quem sabe assim, saciar o meu desejo. Acabar com aquela vontade insana e acalmar meu coração. Acalmar todas estas partes em mim que insistem em te trazer de volta para meus pensamentos quando acho que me recuperei. Isso nunca terá um fim, terá?

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